Canção Para Uma Valsa Lenta (Mário Quintana)
"Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo...
Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida… passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar..."
E aquela menina loira, cabelos compridos e cara de
Harry Potter, óculos redondos e mãos no queixo a me observar. Aquele olhar me fulminava, quase me derretendo e eu, paralisada em meus medos, me encolhi. Veja bem, tão pequena já a me intimidar dessa forma, quase que
onipresente, do alto da escada. Do alto de seus quase 7 anos de idade.
E o que tudo isso pode significar além desse tanto que eu já sei, que com muito custo eu finjo não ter importância?
Acontece que tem importância sim, mas eu sempre me calo, talvez por medo, talvez por um apego estúpido ou na pior das hipóteses por amor. Penso que posso com isso, que as coisas melhoram de uma hora para outra, cada um pode ter uma forma diferente de gostar. Eu gosto. Ou simplesmente acredito que o passado possa voltar.
Mas não volta, e ainda que eu guarde provas, lembranças, ainda que tendo por perto eu possa me enganar escondendo saber que nada mais está no mesmo lugar. Então percebo que é hora de atirar a
garotinha escada a baixo, agora me percebi encolhida e patética esperando, só e esperando.
Vou sem argumentar (“-estou indo embora...”), não pretendo expor os meus motivos a ninguém, quero apenas recuar e retomar minhas rédeas, meu controle. Maldizendo o poeta, pois de hoje em diante, vou esperar o amor para amar.