14.7.09

Hj é dia de Maria!

Hoje me abriu um vazio e um silêncio,

Meus braços ausentes dos seus,

A falta daquele "viva quem chegou" tão familiar.


Já faz um tempo, vó, eu sei.

Mas é que os teus ensinamentos guiam

As setas do meu caminho,

Os passos do meu caminhar.


Doeu um bom tanto a saudade.

Aí busquei no céu,

Uma janelinha pra te abraçar.


Parabéns Vovózinha!!! Vou comemorar seu aniversário aqui dentro, no meu coração, com vc!

3.7.09

muito!

dói esse não amor, dor que é minha e de mais ninguém.
tão sentida, sofrida e calada assim foi jogada por querer
num canto vazio, num breve arrepio, no pesar de viver.

grito a plenos pulmões um choro engasgado,
pois um beijo roubado ainda mora em mim.

e nas horas do dia, na cama vazia de casos de amor
pergunto aos meus lábios, mordidos, selados
se querem agora tentar te esquecer.


Tantas coisas na vida carecem de explicações, mas não o amor. A gente sente ardido na pele, amargo no peito, flutuando no estômago sem saber se é bom ou ruim. E os percalços no caminho de nada adiantam quando estamos determinados e cantando alto as músicas do Roberto Carlos. Não adianta nem tentar me esquecer...Não preciso de muito, são tantas belezas que meu peito se enche de um turbilhão de sentimentos, de sons de criança, músicas antigas, perfumes, de Michael, família...meu peito está cheio de gestos modestos, de fotografias, paisagens, como um capítulo final de novela, como um livro pronto a ser editado.

“Foi num desses dias, quando está prestes a nevar e há uma eletricidade no ar.
Você quase pode ouvir, certo? E este plástico estava simplesmente dançando para mim como uma criança chamando para brincar... por quinze minutos.
Foi quando entendi que havia essa vida toda por trás das coisas e essa incrível força benevolente que dizia não haver razão para ter medo.
No vídeo, eu sei, não é a mesma coisa, mas ajuda a lembrar.
E eu preciso lembrar.
Às vezes, há tanta beleza no mundo!
Penso que não vou suportar e meu coração parece que vai sucumbir.”
(em Beleza Americana)

2.7.09

fugindo de casa


a cena não se inverte, se repete. nos mesmos olhos verdes mareados, no caminhar lento de pés cansados.
precisava entender porque chorava por dentro e aonde levariam os ventos que despenteavam seus cabelos. esse vento gelado, esse suspiro velado que toma conta do seu peito sem pedir licença, aproximando seu rosto tão branco do chão. aproximando do fim o que há pouco parecia ser a solução. das suas dores, dos receios, da solidão. suas mãos ainda guardavam um espaço entre dedos e seus ouvidos sentiam falta de palavras calorosas. a busca incessante a cansara, violentando seu corpo e seu juízo, mas não sabia como parar.
não havia um fiapo em seus botões que mostrassem a saída.
alí, somente a vontade de esquecer. de se esquecer, fundindo seu corpo ao vermelho do piso. não doíam as pernas, a cabeça, a alma. ela doía. doía e pensava em todos aqueles momentos em que desejou fugir de tudo, na ânsia de recomeçar. não queria mais doer, não queria mais sentir. o tempo não para e não se calam as músicas, nem as risadas em seus pensamentos. e ainda que algumas vozes se aproximassem do que queria ouvir, palavra nenhuma teve a gentil capacidade de lhe acalmar a alma, de aquietar seu corpo. este, movia-se no intuito de agradar e de criar novas formas, para ser desejada, olhada, querida. contava da felicidade que queria ter, das magias que queria ver e de todos os outros momentos que eram seus, mas não lhe pertenciam.
a consciência solitária dessa farsa a fazia perder o ar.
ela queria ser entendida, somente. num dia em que pequenas felicidades pareciam transbordar a sua tristeza.