16.2.09

a sua parte


















"Ela disse adeus.
(Now the deed is done)
(As you blink she's gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)..."

- já não é você quem me faz falta, sabe
ainda que me lembre de passar por aí
não me comovo como antes.
(e isso é tão, tão certo)
uma lágrima no rosto pela saudade
de ser amada.
apenas.
serves apenas para isso:
para um tremer de corpo
uma incompletude temporária de alma.
o que agora já me parece tão pouco amor
tão pouco.

13.2.09

a espera


são cinco e meia da manhã e eu ainda acordada a me lembrar. de teus braços como um manto sobre os meus ombros, e meus ombros apenas ombros. conversamos sobre qualquer coisa que coubesse em um dia, fácil como sempre. depois fomos ao cinema ver o filme da última sessão, não me lembro bem do nome. só de te olhar ao meu lado, você sorrindo rapidamente antes de volltar ao enredo, e eu a morder com força o meu lábio inferior para ter a certeza que tu és de verdade. depois no caminho para casa, uma música antiga no rádio, eu com vontade de dizer que também sofro de um problema de expressão, vários até, que a música é para você ou como se fosse. sobre mim. que te amo e que não sei porquê a minha língua não consegue articular as palavras. e você sereno ao meu lado, os teus olhos grandes a iluminar minha escuridão. a casa começa a aparecer ao fundo. mais tarde o quarto, você se despindo, eu fingindo fazer o mesmo, não sem antes tentar decorar todos os sinais das tuas costas, a cor exata de cada centímetro da tua pele. agora tão longe, e eu sem saber o que fazer da música que me enche a cabeça e das flores que querem nascer na minha boca mas não conseguem. muito menos da vontade de te decorar. de modo que continuo acordada às cinco e meia da manhã, com as mãos em meu rosto na breve esperança de que estejas a sonhar comigo, a contar-te do muito amor que te tenho.

11.2.09

de repente

É, tornei-me cínica em relação ao amor. Este hoje é um sentimento que trato por tu, enquanto o respeito decresce de mim para ele. Ok, já não lhe faço mais grandes favores - ou pelo menos evito tentar fazer favores impossíveis - não vale a pena. Porque os sapos que cruzaram o meu caminho ensinaram-me muito mais do que o pequeno príncipe em que tropecei. Deixei de acreditar no All you need is love. All you need is you, isso sim me parece provável. Sim, tornei-me cínica em relação ao amor. Descobri que ele não está em todo o lado, e exige muito só que não promete nada. Temos de nos lembrar disso antes de cada lágrima. Não parei de acreditar no amor. Apenas lido com ele de uma forma prática. O coração também não bate sempre da mesma maneira, não é? No final não passa tudo de uma iusão. Por isso há momentos em que não amar é amar na mesma.