
são cinco e meia da manhã e eu ainda acordada a me lembrar. de teus braços como um manto sobre os meus ombros, e meus ombros apenas ombros. conversamos sobre qualquer coisa que coubesse em um dia, fácil como sempre. depois fomos ao cinema ver o filme da última sessão, não me lembro bem do nome. só de te olhar ao meu lado, você sorrindo rapidamente antes de volltar ao enredo, e eu a morder com força o meu lábio inferior para ter a certeza que tu és de verdade. depois no caminho para casa, uma música antiga no rádio, eu com vontade de dizer que também sofro de um problema de expressão, vários até, que a música é para você ou como se fosse. sobre mim. que te amo e que não sei porquê a minha língua não consegue articular as palavras. e você sereno ao meu lado, os teus olhos grandes a iluminar minha escuridão. a casa começa a aparecer ao fundo. mais tarde o quarto, você se despindo, eu fingindo fazer o mesmo, não sem antes tentar decorar todos os sinais das tuas costas, a cor exata de cada centímetro da tua pele. agora tão longe, e eu sem saber o que fazer da música que me enche a cabeça e das flores que querem nascer na minha boca mas não conseguem. muito menos da vontade de te decorar. de modo que continuo acordada às cinco e meia da manhã, com as mãos em meu rosto na breve esperança de que estejas a sonhar comigo, a contar-te do muito amor que te tenho.

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