2.7.09

fugindo de casa


a cena não se inverte, se repete. nos mesmos olhos verdes mareados, no caminhar lento de pés cansados.
precisava entender porque chorava por dentro e aonde levariam os ventos que despenteavam seus cabelos. esse vento gelado, esse suspiro velado que toma conta do seu peito sem pedir licença, aproximando seu rosto tão branco do chão. aproximando do fim o que há pouco parecia ser a solução. das suas dores, dos receios, da solidão. suas mãos ainda guardavam um espaço entre dedos e seus ouvidos sentiam falta de palavras calorosas. a busca incessante a cansara, violentando seu corpo e seu juízo, mas não sabia como parar.
não havia um fiapo em seus botões que mostrassem a saída.
alí, somente a vontade de esquecer. de se esquecer, fundindo seu corpo ao vermelho do piso. não doíam as pernas, a cabeça, a alma. ela doía. doía e pensava em todos aqueles momentos em que desejou fugir de tudo, na ânsia de recomeçar. não queria mais doer, não queria mais sentir. o tempo não para e não se calam as músicas, nem as risadas em seus pensamentos. e ainda que algumas vozes se aproximassem do que queria ouvir, palavra nenhuma teve a gentil capacidade de lhe acalmar a alma, de aquietar seu corpo. este, movia-se no intuito de agradar e de criar novas formas, para ser desejada, olhada, querida. contava da felicidade que queria ter, das magias que queria ver e de todos os outros momentos que eram seus, mas não lhe pertenciam.
a consciência solitária dessa farsa a fazia perder o ar.
ela queria ser entendida, somente. num dia em que pequenas felicidades pareciam transbordar a sua tristeza.

2 comentários:

Alê Quites disse...

Fugindo da paixão?!
Eu gosto das grandes pequenas sensações...

BeijOS

Cris...(tina!) disse...

é, amar sozinho é muito solitário...rs